Advogado na Audiência de Custódia: Por Que a Assessoria Jurídica é Fundamental
- Wesley Fróes

- 13 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
A audiência de custódia é uma etapa crucial no processo penal, sendo o primeiro contato do preso com a autoridade judiciária após a prisão. Uma pergunta frequente nesse momento é: "É necessário ter um advogado na audiência de custódia?". Apesar de não ser uma obrigação legal, a presença de um advogado criminalista é altamente recomendada e, na prática, essencial para uma defesa eficaz. Este artigo explica o papel do advogado especializado nessa fase e por que sua atuação é um pilar fundamental para a garantia dos direitos do preso.
A Importância do Advogado na Audiência de Custódia
A audiência de custódia tem como objetivo principal analisar a legalidade da prisão em flagrante. É nesse momento que o juiz decide pela manutenção da detenção, pela concessão de liberdade provisória ou pela aplicação de outras medidas cautelares. Sem a assistência de um profissional do direito, o acusado fica em evidente desvantagem.

A atuação de um advogado na audiência de custódia assegura que a defesa possa contestar eventuais ilegalidades, apresentar argumentos jurídicos consistentes e pleitear alternativas à prisão. Ter um defensor técnico ao lado do acusado pode mudar drasticamente a narrativa do caso.
As Principais Atribuições da Defesa Técnica
A simples presença do advogado já impõe maior rigor ao cumprimento dos procedimentos legais e assegura que o processo respeite as normas. Suas atividades vão muito além. Cabe ao defensor:
Analisar a legalidade da prisão em flagrante, apontando vícios ou abusos de autoridade que tenham ocorrido durante a abordagem policial ou na cadeia de custódia.
Argumentar em favor da concessão de liberdade provisória, demonstrando ao juiz os requisitos legais, como ausência de risco para a investigação ou para a ordem pública.
Impugnar a eventual decretação de prisão preventiva, apresentando razões factuais e jurídicas que desaconselhem a medida mais gravosa.
Garantir que o direito de permanecer calado e não produzir provas contra si mesmo seja respeitado, orientando o cliente de forma prévia e adequada.
Zelar pela integridade física e moral do acusado, reportando ao juiz qualquer sinal de violação de seus direitos fundamentais.

Essas atividades são vitais para assegurar que a audiência de custódia ocorra em conformidade com os direitos do acusado e os princípios legais.
Consequências da Ausência de um Advogado na Audiência
Comparecer à audiência de custódia sem a assistência de um advogado criminalista é um risco considerável. O cidadão comum, muitas vezes sob forte estresse e desinformado sobre seus direitos, pode involuntariamente prejudicar sua própria situação, fazer declarações contraditórias ou deixar de apontar ilegalidades que seriam evidentes para um profissional.
Sem a defesa técnica, aumentam-se as chances de a prisão ser mantida desnecessariamente ou de ser decretada uma medida cautelar mais severa do que a situação efetivamente exige.
Muitos casos têm mostrado que a ausência de um advogado pode resultar em prisões desnecessárias. Por exemplo, um estudo indicou que aproximadamente 70% das audiências de custódia sem defesa técnica resultavam em prisões mantidas, enquanto esse número caía para 30% com a presença de um advogado. Estes números demonstram a importância da defesa técnica e seu impacto direto nas decisões judiciais.
A Defesa Estratégica Desde o Primeiro Momento
A audiência de custódia é, em suma, uma oportunidade única e valiosa de buscar a liberdade e corrigir eventuais injustiças desde o início do processo. A contratação de um advogado para a audiência de custódia não é uma mera formalidade, mas uma estratégia defensiva vital.
Investir em uma assessoria jurídica especializada desde o primeiro momento assegura que todos os argumentos sejam utilizados e que os direitos do acusado sejam protegidos, influenciando diretamente o rumo do processo penal. Nessa fase inicial, cada palavra e argumento podem ser decisivos.
A Relevância da Constituição e dos Direitos Humanos
Outro ponto importante a ser destacado é que a Constituição Federal e os tratados de direitos humanos asseguram o direito à ampla defesa. A ausência de um advogado compromete não apenas a defesa do acusado, mas também a integridade do sistema judiciário. É um direito fundamental assegurar que todos tenham acesso a uma defesa mínima e eficaz.
Portanto, enquanto a presença de um advogado é muitas vezes vista como opcional, ela representa uma necessidade. Quando não temos um advogado na audiência de custódia, estamos não apenas colocando o futuro do acusado em risco, mas também desrespeitando princípios básicos da justiça.
A Contribuição do Advogado para um Processo Justo
Um advogado bem treinado e experiente na defesa de clientes em audiências de custódia pode contribuir significativamente para um processo mais justo e efetivo. Com um conhecimento profundo da lei penal, ele pode identificar falhas processuais e abusos, além de garantir que as melhores estratégias de defesa sejam empregadas.

A presença de um advogado pode transformar uma audiência de custódia potencialmente prejudicial em uma oportunidade de defesa sólida. A atuação do defensor é não apenas uma proteção ao acusado, mas também um mecanismo de controle social, garantindo que as autoridades judiciárias atuem de acordo com a lei e respeitem os direitos individuais.
Encaminhando a Palavras Finais
A audiência de custódia, portanto, não deve ser encarada como um mero trâmite legal. É um momento decisivo, em que a presença de um advogado pode significar a diferença entre a liberdade e a prisão. Assim, a prática de constituir um defensor técnico deve ser promovida e incentivada, tanto por aqueles que podem se dar a esse luxo quanto pelas instituições que lidam com a justiça.
A importância da defesa técnica na audiência de custódia é indiscutível. Ter um advogado é garantir não apenas um acompanhamento legal, mas também um suporte emocional e estratégico fundamental para enfrentar um dos momentos mais críticos da vida do acusado.




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