Guarda de Filhos na Separação: Tipos, Direitos e Decisão Judicial
- Thiago do Espírito Santo Souza

- 16 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A definição da guarda dos filhos é um dos temas mais sensíveis em uma separação. O ordenamento jurídico brasileiro, especialmente o Código Civil (arts. 1.583 a 1.590), estabelece os modelos de guarda e prioriza, em todas as situações, o melhor interesse da criança. Este artigo explica os tipos de guarda e como é tomada essa decisão, seja por acordo entre os pais ou por determinação judicial.
Guarda Compartilhada: A Preferência da Lei
Na guarda compartilhada, ambos os pais dividem as responsabilidades e as decisões importantes sobre a vida dos filhos. Prevista no artigo 1.584 do Código Civil, este modelo é o preferencial pela Justiça, pois busca preservar os vínculos afetivos da criança com a mãe e com o pai, assegurando que ambos participem ativamente de sua criação, educação e desenvolvimento.
Estudos mostram que crianças em guarda compartilhada tendem a ter um melhor desenvolvimento emocional e social. A convivência com ambos os pais reduz sentimentos de abandono e promove um ambiente familiar mais equilibrado. Além disso, a guarda compartilhada inclui um regime de visitas claro, onde ambos os pais têm o dever de se manter informados sobre a vida da criança, como progressos escolares e saúde.

Guarda Unilateral: Quando a Guarda é Atribuída a um dos Pais
A guarda unilateral, conforme disposto no artigo 1.583, § 1º do Código Civil, ocorre quando a criança fica sob os cuidados exclusivos de um dos genitores. O outro progenitor, por sua vez, mantém o direito de convivência por meio de um regime de visitas. Essa modalidade é aplicada quando um dos pais não apresenta condições de exercer a guarda, seja por motivos específicos ou mediante acordo entre as partes.
Existem situações onde a guarda unilateral se torna a escolha mais adequada. Isso pode incluir casos de violência doméstica, abuso ou quando um dos pais enfrenta sérios problemas financeiros ou de saúde. É importante notar que mesmo com a guarda unilateral, o pai ou a mãe que não detém a guarda continua a ter direitos de visitação e deveres de contribuição para o sustento da criança.

Como o Juiz Decide a Guarda dos Filhos?
Se os pais não conseguem chegar a um consenso, a decisão sobre a guarda é tomada pelo juiz. A análise judicial leva em conta diversos fatores para assegurar o bem-estar da criança, incluindo:
A qualidade do vínculo e da relação de afeto com cada um dos genitores.
A capacidade de cada parte para prover cuidado, suporte emocional e educação.
A estabilidade do ambiente familiar oferecido por cada um.
A opinião da própria criança, considerando seu grau de maturidade e idade (conforme art. 1.584, § 2º do Código).
O juiz também pode solicitar avaliação psicológica ou assistência de profissionais da área para melhor fundamentar sua decisão. Há um forte foco na manutenção da saúde emocional da criança, o que frequentemente resulta em acordos que buscam preservar as ligações com ambos os pais.
A Importância do Diálogo e da Assessoria Jurídica
Em qualquer processo de separação com filhos, o diálogo respeitoso entre o casal é a melhor forma de encontrar uma solução que minimize os impactos emocionais nas crianças. A comunicação aberta pode ajudar a resolver desavenças sem a necessidade de intervenção judicial. Além disso, um acordo amigável pode facilitar a transição, proporcionando um clima de cooperação e apoio.
No entanto, quando o acordo não é possível, a orientação de um advogado especializado em direito de família é fundamental para proteger os direitos dos pais e, principalmente, dos filhos. A assistência legal adequada pode assegurar que todos os aspectos legais sejam considerados e que o melhor interesse da criança seja sempre a prioridade.

Considerações Finais para Pais em Processo de Separação
Entender a dinâmica da guarda e as opções disponíveis pode ser crucial para um processo de separação. Seja através da guarda compartilhada ou unilateral, o principal responsável deve ser sempre o bem-estar da criança. Embora o Código Civil ofereça diretrizes claras, cada caso é único e requer atenção às circunstâncias envolvidas.
Portanto, a construção de um diálogo respeitoso entre os pais, juntamente com a assistência de profissionais qualificados, pode facilitar um processo que leve em conta as necessidades e desejos das crianças. É essencial manter a mente aberta e estar disposto a comprometer-se para o bem da família.
Seguir essas diretrizes não apenas protege os direitos dos envolvidos, mas também estabelece um caminho mais saudável e harmonioso para as crianças.




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